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Sponsor Report
 

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Sponsor report: ESTRONDO CHOPPERS
31.º Salon de la Moto de
Pecquencourt , 2010
Este é mais um daqueles eventos motociclisticos de cariz único, ou seja, que não imitam nenhum outro. Muito diversificado, que é como quem diz, para todos os gostos e estilos de aficionados, é uma das primeiras grandes festas europeias do ano, e, pela minha parte, foi a 7.ª vez consecutiva que a visitei. Decorreu de 27 a 28 de Março, na tal pequena localidade do norte de França, inserida na região Nord-Pas-De-Calais e a cerca de 25 km da fronteira com a Bélgica. Tem mantido as suas características, de ano para ano, e esta foi já a sua 31.ª edição.

Motociclistas visitantes são muitos, cerca de 45.000 e, para uma pequena povoação de apenas 6.000 habitantes, implica, inclusive, a proibição de entrada e circulação de veículos automóveis, excepto, claro está, os dos moradores e de serviço.
Generaliza-se assim um certo "caos controlado", dentro e fora do recinto. Quero com isto dizer que nas alturas de maior fluxo é extremamente difícil, demorado e, por vezes, desesperante, deslocarmo-nos a pé para qualquer lado. Na localidade as ruas ficam compactas de gente, que não se consegue ultrapassar, e a velocidade máxima é semelhante à de uma procissão religiosa. Dentro do recinto piora um pouco. Quando, por exemplo, termina um espectáculo como o FMX (Freestyle Motocross) e vai começar outro também bastante atractivo, mas no lado oposto do terreno, deslocasse uma multidão perfeitamente compacta de vários milhares de pessoas e é impossível tomarmos o sentido contrário. Ou nos deixamos arrastar pela multidão ou vale mais esperar uns largos minutos. Mesmo indo junto com essa avalanche de gente o ritmo é tão lento que corremos o risco de quando lá chegarmos, já ter terminado o tal show que pretendemos ver.
Talvez por isso todos os shows são repetidos cerca de 4 vezes por dia e os espectáculos de domingo são exactamente iguais aos de sábado, excepção para as actuações de palco.

FMX
É uma das maiores atracções e não é para menos. São sempre convidados um bom lote de pilotos ao melhor nível mundial e o espectáculo é garantido. Nesta edição do Salon de Pecquencourt podemos assistir a um "plateau" digno do "X-Games". Concretamente o australiano Robbie MADISON, o francês Charles PAGES, o japonês Eigo SATO, o americano WILEY FULLMER, o norueguês André VILLA, o francês Jérémie ROUANNET e, por último, o espanhol DANY TORRES.

Pista principal, Stunt e Fire Show
Esta pista tem 6 metros de largura e 700 de comprimento. Poderá parecer um exagero, mas tendo em conta a quantidade de público, é garantidamente a dimensão mínima aconselhada. A segurança é extrema porque de ambos os lados está protegida com rails até à altura do peito e tem também um tubo, em todo o comprimento, para apoio dos braços.
É nesta pista que funcionam as demonstrações de arranque de dragster, que não aconteceram este ano, e os shows de stunt. Adivinha-se que é extremamente curta e estreita para um arranque a sério de um dragster de 500 kg, equipado com um motor a jacto proveniente de um caça F5 com 6.000 cv de potência (cerca de 12 cv por kg), e bastante comprida para um normal show de stunt. Isto porque se um piloto estiver a executar manobras de equilíbrio num extremo da pista, o público no extremo oposto nem faz ideia do que afinal se está ali a passar. Assim sendo, os espectáculos de stunt são praticamente sempre efectuados por teams de pilotos e a maioria das manobras são em alta velocidade, coisa que até hoje só vi mesmo em Pecquencourt. Como o público está todo perfeitamente perfilado ao longo dos rails, o ângulo de visão é bastante reduzido e quando as motos passam, em alta velocidade, existe alguma dificuldade em perceber o que de facto aconteceu. O português Humberto Ribeiro, o alemão Rainer Schwarz e o team Brestunt, foram os nomes responsáveis por excelentes momentos de Stunt Riding.

Localidade
Pecquencourt é uma pequena, simpática e pacata localidade de apenas 6.000 habitantes. Polícia local não há, praça de táxis também não e restaurante só mesmo uma pequena pizzaria que abre apenas ao meio-dia. No fim-de-semana do evento é literalmente invadida por cerca de 50.000 motociclistas, mas os habitantes são de uma simpatia extrema para os visitantes e manifestam, inclusive, um grande orgulho no seu moto clube e na sua festa anual. Muita gente aproveita para ganhar alguns trocos guardando motos, capacetes e blusões, nas suas garagens e quintais. Alguns até improvisam pequenas tertúlias nas suas garagens, vendendo a quem passa comida, bebida e até café feito nas pequenas máquinas de café lá de casa.

Palco
Tendo em conta que o evento funciona só durante dois dias, das 10h00 às 19h00, e as actuações de palco duram apenas 75 minutos, e considerando ainda que decorrem simultaneamente com muitas outras actividades, não é de estranhar que a aposta no palco não seja grande e actuem sempre bandas francesas desconhecidas da maioria de nós. Este ano actuou a banda Eiffel no sábado e a Revivl no domingo.

Tuning Show e Motos de Legende
Este espaço de exposição é reservado, como o próprio nome indica, principalmente à exibição de motos dentro do conceito Tuning Bike francês, embora outros temas de exposição tenham surgido de há uns anos para cá, e tenham também conquistado o seu próprio espaço e destaque.
Estranhamente Portugal continua a ser um país europeu para umas coisas e não para outras. Na restante Europa comunitária é extremamente fácil "tunar" uma moto e legalizar de seguida as alterações mais profundas. O tuning francês é maioritariamente praticado em motos desportivas, mas não só, e o mais comum é começar por mudar a pintura geral, colocar uma protecção de depósito a condizer, trocar o assento por um mais colorido e elaborado, trocar o ecrã por outro com uma configuração e cor diferente, piscas, retrovisores, etc. Os escapes também são um elemento quase sempre trocado mas hoje em dia por material do tipo racing mas homologado para estrada.
O extremo desta tendência tuning é o facto de existirem várias casas francesas que criam kits de transformação bastante elaborados (que vão desde a alteração de toda a pintura até à troca, por exemplo, do sistema de travagem, suspensão, etc), fazem de seguida acordos com os importadores, e são estes que vendem essas motos transformadas, na sua própria rede de concessionários, como se de versões limitadas oficiais se tratassem. As motos são, portanto, entregues ao cliente com zero quilómetros e já alteradas, mantendo, ainda assim, a total garantia de fábrica.
Pelo Tuning Show, do Salon de Pecquencourt, já passaram casas preparadoras prestigiadas, tais como Egli, Top Driver, Roca, Mer, Paris Nord Moto, Bike Colors, Marty, etc.
Este ano, e mais uma vez, o maior destaque desta exposição ia para motos de corrida de coleccionadores, algumas de extremo valor histórico e monetário.

Pista secundária, Stunt e FMX Pit Bikes
É uma pista rectangular com cerca de 100x100 metros, onde todos os anos acontece algo de diferente. Este ano tudo o que lá aconteceu ficou bastante aquém do que Pecquencourt tem costuma oferecer.
Concretamente tratou-se do Mecanic Show, que mais não era do que simples demonstrações de condução de trikes Can-Am e do team belga de stunt, The Stunters.


Radical Custom Bike Show
É mais um dos "ex libris" do Salon de Pequencourt. Organizado por Nicolas Chauvin, também ele um construtor de respeito ao nível mundial. Este bike show conquistou já um prestígio considerável e são premiadas três motos, não havendo classes. O troféu é uma simples taça, uma vez que é meramente simbólico, e o verdadeiro prémio começa logo por ser o convite de Chauvin para se estar presente a concurso. Quem é convidado tem todos os seus custos de deslocação, alimentação e estadia cobertos pela organização.
Curiosamente pelo segundo ano consecutivo, a data do Salon de la Moto coincidio com o maior bike show europeu, o Custom Chrome Europe Dealer Show, que se realizou mais uma vez em Mainz, Alemanha, no Phönix Halle.
Logicamente que tal coincidência prejudicou visivelmente o bike show de Chauvin, mas foi algo inalterável, tendo em conta que no fim-de-semana anterior tinha sido data de eleições em França e, no seguinte, já sairia fora do tradicional mês de Março.


Portugueses em Pecquencourt
Este ano foram convidadas quatro motos portuguesas, já bem conhecidas entre nós. Referimo-nos à vistosa chopper amarela, produzida em 2007 pela Estrondo Choppers, à Mortágua Fighter 5, saída das mãos de Carlos "Mortáguas"  no final de 2009 e às duas produções de António Ruivo e Nuno Marouco, respectivamente a sua Virago 250 Strange de 2005 e a sua ainda mais "strange" produção de 2008, equipada com o motor de um Citroën 2CV.

Ambiente
Como é normal o público é maioritariamente francês e dentro da sua típica cultura motociclística. As suas motos desportivas têm praticamente todas alterações do estilo tuning bike, principalmente estéticas. Estrangeiros são maioritariamente os proprietários das motos que estão expostas no Radical Custom Bike Show e aqueles que têm motos ou equipamento e acessórios em exposição. Por motivos históricos franceses e alemães não combinam sendo muito raro verem-se alemães em França ou franceses na Alemanha, seja neste tipo de eventos ou em simples turismo. Falar sobre a 2.ª Grande Guerra com um alemão não é um muito bom tema e é até praticamente assunto tabu por uma certa vergonha nacional. Já os franceses, e concretamente em Pecquencourt basta olhar para alguns telhados e ainda lá vemos as sirenes que avisavam dos bombardeamentos aéreos. Enfim, coisas que só o tempo vai apagando.

Stands de motos originais
É uma zona de exposição de motos de série, equipamento e acessórios que no sábado onde por vezes estão expostas e à venda modelos que ainda não estão disponíveis no nosso mercado nacional. Isto porque as encomendas dos países com maior volume de importações têm naturalmente prioridade em relação aos restantes.

Feira de motos e peças usadas
É uma feira de rua impressionante e nunca vi nada igual. No domingo, a partir das seis horas da manhã os feirantes invadem várias ruas da localidade e pode-se ver tudo o que tem a ver com motos a ser vendido em segunda mão. Motos de todos os tipos e feitios, motores, quadros, peças, tudo. A partir das 8h00 ou 8h30 fica de tal modo compacta de gente que é praticamente impossível circular a pé ou ver o que quer que seja. Vamos para onde a multidão nos leva, lentamente, e não para onde queremos ir. Se quisermos parar também não é nada fácil.
A não perder.

Clássicas
Os franceses chamam-lhes "anciennes" ou carinhosamente as "mamies".
Mais uma vez foi o coleccionador Jean-Luc Gaignard que forneceu as motos para exposição. Ao que parece tem tão largas centenas de motos na sua colecção privada que basta pedirem-lhe para fornecer motos sobre um qualquer tema que se invente. Este ano a ideia foi montar uma exposição com motos antigas de origem inglesa. Uma empresa contratada encarregasse de montar todo o cenário e manequins da época.


 
Text and photography: Paulo S. Santos, the Press Machine
Post-production: Paulo S. Santos, the Press Machine